RUÍNAS ALADAS

Minha alma escorre como em um rio de palavras. Sou uma metáfora que ressoa como um gemido de uma Fênix em pedaços. Há uma chama que consome minha imagem, meu reflexo e meu aroma. Estou perdido, sem memória possivel, desaparecido e pulsando. Não há mais sóis nem templos de ilusão. Existo como um EU, que se reconstroi entre cacos e silêncio.



Sábado, Setembro 23, 2006


O Diabo veste Prada (2006)

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 8:03 PM Comments:



SEM

Prendo minha respiração, compassando os segundos.
Uma música perdida no mundo. Fundo sem figura.
Traço o arco disforme, mirante e aquário, arquipélago.
Um toque, um sopro, um sino, um vício, um sono.

Já agora, meus seis segundos de silêncio, meus passos.
Como derramando hóstias, sangue encarnado. Coágulo.
A brisa cinzenta, sobre os olhos de folhas caídas. Noite.
São palavras-beija-flor, recanto afastado, sereno e estrela.

Já te olho no espanto das linhas perdidas nas dunas lunares.
Meus pés, meus pós, no asfalto que distorce a sombra só.
Devorando silhuetas, assasinando sonhos. Desabando mares...
Como um sonho num sonho num sonho nú-sonho. Sílaba.

(L. F. Calaça | 23/09/2006)

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 6:53 PM Comments:



Quinta-feira, Setembro 21, 2006

UM POUCO MENOS...

Trago no corpo chagas envenenadas
de um tempo passado presente sem rumo
das lanças marcadas pelo sangue alado
dos mirantes correntes, entre pedras e brasa.

Trago nas mãos minhas lágrimas mortas
coágulos e leite aos pedaços qualhado
num desfazer das horas mortas, rosário
entre figuras marcadas por ruas e santos.

Trago num trago bocêjo, a angústia partida
do beijo sem boca, do sexo sem gritos
das noites insones, roubadas de mim
pedindo silêncio e estrondo no peito.

E deixo, nas ruas, meu corpo ausência.

(L. F. Calaça | 21/09/2006)

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 6:03 PM Comments:



Quarta-feira, Setembro 13, 2006

DIAMANTES

um pedaço do cheiro jasmim
da casa torta, da rua lua vaga

um cheiro forte de cores quentes
queimando pele, poros e lingua

meu corpo silenciando as retinas
atravessando as dunas afogadas

minha alma, alva miragem milenar
de um tempo parado, retornando

conjunção de astros metalinguísticos
delirando no desejo alucinado do olhar

(L. F. Calaça | 13/09/2006)

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 7:44 PM Comments:




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